Cidadania

Cadeirantes sofrem com o descumprimento da Lei de Acessibilidade
09-01-2009 15:07

Apesar da Lei de Acessibilidade já estar em vigor há muito tempo, muitos estabelecimentos comerciais, e mesmo públicos, desrespeitam as normas de adequação dos serviços de acesso a cadeirantes ou pessoas com dificuldade de locomoção. Além dos cadeirantes outros têm os seus direitos desrespeitados como os idosos, pessoas que usam salto alto, portadores de muletas, portadores de deficiência física e todos os que têm mobilidade reduzidas de locomoção.

Rosa Maria Rocha declara que já cansou de torcer o pé nas ruas de São José dos Pinhais e inclusive chegou certa ocasião a quebrar o salto do sapato. “A gente que usa calçado com salto alto sofre nessas ruas. Já não sei quantas vezes torci meu pé andando por aqui e num dias desses voltei para casa literalmente descalça, pois tinha quebrado o salto”, declara Rosa.

Alberto Nogueira, cadeirante e membro da Associação dos Deficientes Físicos de São José dos Pinhais enfatiza que a Política Nacional para a Integração de Pessoas Portadoras de Deficiência objetiva principalmente dar acesso também a esses cidadãos, o que não está sendo cumprido, seja no âmbito público ou privado. “A Lei existe, mas raros os que a cumpre. Daí é que vem o papel da sociedade consciente dos seus direitos em exigir mudanças. Eu mesmo reivindiquei em vários departamentos públicos e privados para que atendessem com mais respeito os cadeirantes ou portadores de deficiência física. Sito dois exemplos. Uma é a ACIAP, que, depois de muito tempo, enfim se readequou, instalando uma rampa de acesso para cadeirante. O outro é as Lojas Cem, no calçadão da Rua XV, que ainda não construiu uma rampa de acesso. Já cheguei a tentar falar com a gerência de lá, mas eles nem quiseram me atender”, disse Nogueira.

Alberto ainda apontou como um descaso a comunidade portadora de deficiência a Igreja Catedral de São José dos Pinhais, que com a sua escadaria e a falta de uma rampa de acesso para cadeirantes “não se mostra interessada em resolver o problema”. Maria Angélica Marochi, membro do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (COMPAC) e também membro da Comissão de Restauração da Igreja disse que as medidas estão sendo tomadas conjuntamente com a prefeitura. “A Catedral tem sim a preocupação em se adequar para atender aos portadores de deficiência física e motora. Contudo, é um projeto que necessita de análise, especialmente arquitetônica, e uma contrapartida financeira por parte da Igreja, que precisa terminar primeiramente as restaurações no telhado para daí sim arranjar recursos financeiros para efetivar a obra da rampa”, destacou Marochi.

Para o presidente da subseção da Ordem dos Advogados (OAB) de São José dos Pinhais, Gilvan Dall Pont, apesar da Lei não ser nova ainda falta consciência e vontade de cumprir as determinações legais, por parte da sociedade, e destaca que o Poder Público é um dos que mais descumpre as normas. “O Poder Público, que deveria fiscalizar e fazer com que a Lei fosse cumprida é o primeiro a descumprir as normas técnicas e legais. As instituições privadas e públicas ainda encaram o assunto do ângulo financeiro, pois requer custos tanto para adequar as obras já edificadas quanto as medidas a serem tomadas ainda na sua construção. Um exemplo disso é o novo prédio do Fórum de São José dos Pinhais, que teve que passar por adequações em sua construção, pois não previa condições de acesso para portadores de deficiências física às suas dependências”, disse Dall Pont.

O vigilante Renato, do fórum são-joseense, ao ser questionado por nossa equipe sobre o portão de acesso a deficiente em ser muito estreito (e ainda quase caindo) e sobre a rampa para cadeirante ser muito íngreme e com piso inadequado, respondeu que o fórum ainda está com um serviço satisfatório para a comunidade em vista do que acontece em muitos departamentos públicos e estabelecimentos comerciais. “Aqui ao menos tem rampa. Se você for por aí vai ver que nossa situação não é tão grave assim”, enfatizou Renato.




Publicado: GuiaSJP.com - Texto de Antonio Bobrowec (Reprodução autorizada mediante citação do GuiaSJP.com)
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