Ciência e Tecnologia

Feijão do Iapar é destaque na Exposição de Tecnologia Agropecuária em Brasília
20-09-2008 08:49

Terá gosto de festa o espaço do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) na 6.ª Exposição de Tecnologia Agropecuária (também chamada de Ciência para a Vida), em Brasília. É que o Instituto apresenta, inclusive com degustação, as mais recentes conquistas do seu programa de melhoramento genético de feijão: as variedades IPR Eldorado, IPR Siriri, IPR Gralha e IPR Tiziu. Todas foram obtidas por métodos tradicionais de melhoramento genético (sem uso de transgenia) e, além das vantagens agronômicas para os produtores, têm ótimas características culinárias e nutritivas. O evento começa neste sábado (20) e vai até o domingo (28) da outra semana.

O diferencial de IPR Eldorado frente a outros materiais disponíveis no mercado é a resistência ao mosaico dourado, considerada pelos pesquisadores a pior doença que afeta lavouras de feijão em regiões de clima tropical. Além disso, a nova cultivar apresenta ótimas características comerciais (ausência de halo alaranjado nos grãos) e culinárias, com bom caldo e cozimento rápido.

De acordo com Anésio Bianchini, que trabalha há mais de 20 anos nessa linha de pesquisa, o mosaico dourado causa o amarelecimento das folhas e graves deformações no feijoeiro, danos que podem levar à perda total da produção. A doença é causada por um vírus, transmitido pela mosca-branca (vetor), e a infecção das lavouras ocorre quando o inseto suga a seiva das plantas para se alimentar. Não há controle químico eficiente para a virose, esclarece o pesquisador.

IPR Eldorado tem grãos do tipo comercial carioca e é indicado para as safras da seca e de outono-inverno no Norte, Nordeste, Noroeste e Oeste do Paraná, zonas sujeitas a elevada incidência do mosaico dourado. A doença também é um problema sério no Brasil Central e, conforme Bianchini, o Iapar já providencia avaliações naquelas regiões produtoras.

A nova cultivar é indicada para plantio no período que vai de dezembro a abril, em regiões sujeitas à ocorrência do mosaico dourado no Paraná. “O ciclo de 75 dias (semiprecoce) viabiliza o cultivo na seqüência das culturas de verão, como soja, milho e algodão”, enfatiza Bianchini. Cultivada em áreas com alta incidência de mosaico dourado, chegou a produzir 2.400 quilos por hectare. Essa produtividade pode superar os 3.700 quilos em locais onde não ocorre a doença.

VARIEDADES – Esta é a terceira cultivar do tipo carioca resistente ao mosaico dourado que o Iapar põe à disposição dos produtores. Em 1992 e 1993, foram lançadas as variedades Iapar 57 e Iapar 72, respectivamente. “Eram materiais bastante produtivos, mas tinham grãos com halo alaranjado, e o mercado não os absorveu bem”, conta Bianchini, lembrando que essa característica foi eliminada na IPR Eldorado.

A outra variedade do tipo carioca que o Iapar apresenta no Ciência para a Vida é a IPR Siriri, material bastante rústico e produtivo, que resiste ao calor e apresenta resistência moderada à seca, com potencial de rendimento que pode superar 3.100 kg/ha. Quanto às doenças, é resistente à ferrugem, mosaico comum e oídio; também demonstra resistência moderada ao crestamento bacteriano comum e murcha de bactéria. O ciclo é de aproximadamente 85 dias. Na panela, destaca-se pela excelente qualidade de grãos, cozimento rápido e bom caldo.

Feijão preto - IPR Gralha tem na rusticidade seu maior diferencial. Por isso, é altamente indicada para o sistema de produção orgânico, conforme a pesquisadora Vânia Moda Cirino. É uma variedade tolerante ao calor e moderadamente resistente à seca. No aspecto doenças, é resistente à ferrugem, oídio e mosaico comum. Tem ainda resistência moderada à antracnose, crestamento bacteriano comum, mancha angular e murcha de bactéria. Com ciclo em torno de 89 dias, IPR Gralha tem potencial produtivo acima de 3.700 kg/ha.

Do ponto de vista nutricional e culinário, tem em média 23,2% de proteínas, cozinha rapidamente – em aproximadamente 25 minutos –, dá bom caldo e deixa 67% de grãos inteiros após o cozimento, característica muito procurada, pois significa que o feijão não desmancha na panela.

Também do tipo preto, IPR Tiziu tem porte ereto e pode ser colhida mecanicamente. Com excelente potencial produtivo, chega a superar os 3.900 kg/ha. Tolera bem secas e altas temperaturas. É resistente ao mosaico comum e à ferrugem, e mostra resistência moderada à murcha de bactéria, oídio e mancha angular. O ciclo é de 89 dias e o tempo de cozimento é de aproximadamente 25 minutos, deixando 58% de grãos inteiros e bom caldo. Possui teor médio de proteína de 24,5%.

ATRAÇÕES – Além das variedades de feijão, o visitante do Ciência para a Vida poderá conhecer no espaço do Iapar os avanços da pesquisa com oleaginosas para produção de biodiesel, novos títulos de publicações do Instituto e, claro, tomar um cafezinho e conferir o sabor e a qualidade da bebida produzida no Paraná.

Serviço:
Espaço do Iapar no Ciência para a Vida
Local: Sede da Embrapa. PqEb - Parque Estação Biológica - Av. W3 Norte (final) – Brasília, DF
Data: 20 a 28 de setembro
Horário: 9h às 20h (segunda a quinta) / 10h às 22 h (sexta a domingo)



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