Katia VeloGuiaSJP

EXPOSIÇÕES
Elisa Gunzi
Renato Torres
Haydée Guibor
Hugo Mendes
04/06/2011
Subsolo Galeria de Arte Contemporânea expõe, DesProposições Lineares, com o Grupo Papel (Curitiba/PR)

A exposição DesProposições Lineares, que terá sua abertura na Subsolo Galeria de Arte Contemporânea, no dia 09 de junho, a partir das 19h, apresentará a produção do Grupo Papel, um coletivo composto por: Elisa Gunzi, Elisa Tkatschuk, Haydée Guibor, Hugo Mendes, Laura Hartmann, Renato Torres, Roberta Nuns e Vânia Maria Andrade.
Em DesProposições Lineares, através das técnicas da fotografia, do desenho e da gravura, serão estabelecidas as conexões com a produção do grupo. A primeira se dá pelo suporte comum: o papel (que justifica o nome do grupo); a segunda trata a questão poética que acontece no desenho, na linha e a terceira conexão corresponde a proposta da utilização do prefixo des como princípio de produção.
Des pode significar uma “idéia de negação, ação contrária ou separação”,o que se opõe a idéia de linha como marca e a afirmação de sua materialidade no suporte. Duas forças tensionadas em direções aparentemente opostas e que fundamentam a produção do coletivo:

Elisa Gunzi. Seus desenhos acontecem por meio de linhas finas e delicadas,
em nanquim, desdobradas sobre papéis de origami. São fragmentos, da estampa de um quimono, texturas das escamas de um peixe, da superfície das armaduras dos samurais, etc. Um desenho figurativo que não pretende representar. O que vislumbramos em seu conjunto, é o resultado de tramas diversas que numa “colagem” entre figura e fundo, trata mais da forma do que de seu conteúdo.

Elisa Tkatschuk revela um olhar atento a pequenos detalhes do cotidiano, tais como cantos escondidos e obscuros de um prédio no centro da cidade. No desenho, a artista retrata paisagens urbanas, compondo um cenário construído por elementos aparentemente grotescos que denunciam as discrepâncias presentes no mundo contemporâneo.

Haydeé Guibor constrói desenhos a partir de linhas que transitam por todo o suporte e se entrecruzam, aproximam, distanciam e se fundem. A cada gesto cria novos caminhos e labirintos, num percurso em que a linha se faz e desfaz, num vai e vem de movimentos que estabelece novas configurações. Nesta trama, ao tentar alcançar a saída, insistir e persistir, ou simplesmente continuar em frente, a linha caminha e descaminha.

Hugo Mendes apresenta a obra: Um dia eles saíram chiques, apenas os fundilhos estavam puídos, a qual participa da série Mnemônicos. Aqui a linha acontece por meio do nanquim sobre papel, retratando imagens capturadas de diversas fontes, preferencialmente de temas popularescos, como frames de filmes brasileiros, propagandas, jornais, fotografias encontradas ou resgatadas em antiquários, etc. Seus desenhos causam certa estranheza. Suas imagens são estruturadas em linhas construídas no sentido horizontal, utilizando a linguagem gráfica, que simula a operação de uma impressora. Uma imagem “scanneada” pela memória e desgastada pelo tempo através de uma linha desfigurada.

Laura Hartmann para quem des-enhar é o processo pelo qual uma imagem, um pensamento, uma idéia, um sentimento, ganham forma e se apresentam conforme os traços vão se soltando e se definindo, sua construção poética, que alimenta os nossos olhos, torna-se conseqüente do contraste harmonioso da transparência e leveza da aquarela com o rigor gráfico do lápis. Sua obra reafirma: “a noite remete a magia”.

Renato Torres, na série Desenhos com Água, constrói uma linha que desliza sobre o papel, criando variações de volume e dimensões. Nesse processo, é uma tarefa difícil, domar a linha que se desmonta ao mínimo toque e que, ao mesmo tempo, é rapidamente absorvida pelo papel. Uma linha errante que vai encontrando seu caminho e sua trajetória por entre as fibras. Contê-la é o sentido contrário à sua natureza. Seu tempo impõe o registro instantâneo da fotografia, já que ao cumprir seu destino, o desenho se desliga do seu artífice e do suporte e se desintegra.

Roberta Nunes, com o trabalho Desambientar, propõe um deslocamento do olhar entre a realidade e o devaneio. Suas paisagens construídas por meio da técnica mista, (nanquim e colagem), fazem a referência icônica direta e, ao mesmo tempo, os recursos gráficos que adornam e constroem esta paisagem a deslocam para a ficção. Sua obra nos remete mais ao imaginário do que à realidade objetiva.

Vânia Maria Andrade propõe a obra Despetalar, constituída por folhas, cascas, galhos e raízes, que são depositadas sobre o suporte, criando uma trama de linhas. Estes materiais orgânicos que se apresentam, não representam, integram o suporte. Despetalar as folhas, flores e galhos sobre um suporte, papel artesanal, que está em pleno processo de construção, o resultado são pétalas encravadas sobre a estrutura do papel, que ora estão expostas ao nosso olhar, ora escondidas por entre as tramas.

DesProposições Lineares, norteia seu processo de produção na linha como principal componente poético, assumindo suas múltiplas interpretações. Para este coletivo, Grupo Papel, a linha desdobrou, deslocou, descaminhou, deslizou, desambientou, desvendou e despetalou.


Serviço:
DesProposições Lineares - exposição do Grupo Papel
Abertura: 09 de junho de 2011 às 19h (a exposição ficará aberta ao público até 30 de junho de 2011)
Subsolo Galeria de Arte Contemporânea– Av. Iguaçu, 2481 – Água Verde – Curitiba – PR - 3019 8701 |
Horários: Terça a sexta, 14h às 20h e sábados, 11h às 18h



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"Graça seja convosco, e paz, da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo." 1CO 1:3
O sangue de Jesus Cristo, filho do Deus vivo, te purifica de todos os pecados.(Vida Cristã)

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