Reflexão

A Fé Cristã não pode ser religião!




Jesus é a revelação de Deus

“... nada há mais destituído de sentido do que fazer-se do Evangelho de Cristo uma religião, pois isto o transforma numa possibilidade humana ao lado de outras quaisquer; esta tentativa, ensaiada mais conscientemente pela teologia protestante depois de Schleiermacher, é uma traição a Cristo” (Karl Barth).

Conhecemos a história de Babel (Gn 11). Babel tem haver com alcançar os céus e tornar nosso nome celebre sobre toda terra. Babel tem haver com a pretensão do ser humano alcançar a Deus, de organizar uma sociedade, uma cidade, em favor do benefício e da promoção pessoal.
Quando olhamos para as religiões, não passam de pretensões humanas, organizadas filosófica, moral e legalmente para alcançar a Deus. E quando não basta, está lá a “marca” e o líder para se fazer célebre sobre toda a terra. Comportamentos, posturas, gesticulações, “tijolos bem cozidos”, argamassa da lei e da moral, untando a promessa que os céus vão se abrir e será gerada a “bênção”, tão logo todos se esforçarem.
Falar do Evangelho de Jesus Cristo tem sido a questão mais difícil no tempo presente. Desde o Iluminismo francês, desde o filósofo Kant e o idealístico Schleiermacher, o Evangelho vem sendo empurrado para o mundo da religião, dos sentimentos, das respostas não definidas pela ciência, do consolo frente à morte e sofrimento. E quando você o prega e dele fala, logo se ouve e se lê: Bem, isto é religião ! A religião sempre foi e é a tentativa do ser humano alcançar a Deus, quando a Fé Cristã, é o contrário, é a tentativa de Deus alcançar o ser humano, a humanidade (Jo 1:1-14; Mt 1:23; Ef 1:3-14;Cl 1:9-229;2:2-15). O Deus da Bíblia, dos Evangelhos é bem outro das religiões. E se formos sinceros em ler o Evangelho, vamos ver que Jesus nunca estava lá, onde a religião estava. Jesus estava lá onde a vida acontecia, onde a vida era decidida, onde as pessoas tinham que se virar. Quando se aproximava dos círculos religiosos ou dos locais religiosos, não poucas vezes Jesus entrava em conflito com os mesmos.
O Evangelho de João nos mostra entre alguns personagens o que sucede quando a religião é o “óculos” de nossa leitura do Evangelho e a confusão que daqui decorre. Nicodemos (Jo 3), por exemplo, não consegue perceber, apesar de toda suspeita, que Jesus não passa de um profeta, de mais um mestre dentre outros da história. Sua visão farisaica e religiosa impede de ver e perceber Jesus como o Deus presente. E notoriamente é desafiado a ver Jesus de cima (palavra grega “anothen”, traduzido por “de novo”, mas o sentido correto é “de cima”). Nicodemos é convidado por Jesus a rever sua visão religiosa, olhar para Jesus como a vontade e presença de Deus para sua vida.
Uma outra personagem digna de ser estudada é a mulher Samaritana (Jo 4), o quê a religião pode causar em matéria de confusão e desvirtuamento da vida. Como pessoas passam a vida de forma alienada e despercebidas de si, alienadas do meio e da razão para o que vivem, quando Deus é conhecido e estruturado pelo próprio ser humano na forma de templos e regras morais, religião. O Evangelho de Mateus nos contata a constante insatisfação de Jesus com relação à pergunta: “Que dizeis ser o Filho do Homem?”. A resposta sempre foi um dos profetas, Elias, Jeremias, etc, etc..! E Jesus pergunta e vós, que dizeis que sou? Então, então Pedro responde: “Tu é o Cristo, o Filho do Deus vivo!” (Mt 16:13ss).
É preciso romper com a visão e leitura religiosa do Evangelho. É preciso olhar Jesus como a vontade de Deus para a humanidade. E diante disto estabelecer a pergunta que nos ajuda a romper a redoma religiosa: Qual é a vontade de Deus para minha vida, para a vida da Igreja, onde estamos, vivemos e habitamos? Quando você deixar sua imaginação religiosa conduzir o caminho para Deus, você construirá sua “Babel”, e você será confundido. Mas se você deixar Deus se manifestar e revelar em Jesus Cristo (Rm 10), conforme o Evangelho, Sua vontade para a vida, então haverá solidez de vida, razão existencial, co-participação do próprio Deus (Mt 6:33; 7:21-23) em seu cotidiano (1 Co 2:9). Jesus é a palavra de Deus para sua vida, a presença de Deus para a sua vida ! Não se ocupe com religião, ocupe-se com a comunhão e relação com Jesus Cristo, que vivo está (Hb 13:8-9), e assim na igreja onde você foi e é chamado para a comunhão e ação.

E que assim, seja a bênção somente de Deus com você!

Pr.Edgar Leschewitz


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O sangue de Jesus Cristo, filho do Deus vivo, te purifica de todos os pecados.