Reflexão

Bem Aventurados os pobres de espírito (Mateus 5.3)



Bem aventurados, felizes os pobres? Soa estranho! Contudo, quantas pessoas ricas você conhece que – realmente são felizes? E quando falamos em “bem aventuranças”, não se trata de desejos piedosos ou profecias efusivas porém, vagas, de uma felicidade futura. Pelo contrário, aqui, as pessoas são parabenizadas pelo que elas já são, pelo que efetivamente já possuem. Naturalmente tal felicidade somente será completa na eternidade. Contudo, trata-se de algo verdadeiro e real, em relação a que já podemos alegrar-nos aqui e agora. Por isso, na perspectiva bíblica, não se pode imaginar uma fé sombria, melancólica, apática. Trata-se de uma alegria, uma paz interior que se impõe e irradia apesar e através da dor e das lágrimas; de uma felicidade que ninguém nos poderá roubar: “Vossa alegria ninguém vo-la tirará” (João 16.22).

No original grego, o termo “pobre” pode ter o significado de: “curvar-se”, “ficar de cócoras” – ou seja: A pobreza é tal, que leva a pessoa ficar de joelhos. Tanto mais nos surpreende esta bem aventurança. Na sua origem, o termo tem um sentido quádruplo: (1) Primeiro, significa simplesmente pobre; (2) Daí se deriva o significado “sem influência”, “sem poder”, “ajuda” e “reconhecimento”, por ser pobre; (3) Depois: oprimido pelos homens e pisado com os pés, por ser sem influência; (4) Por fim, era assim chamada a pessoa destituída de todos os recursos terrenos e somente tinha ainda a Deus a quem recorrer e em quem confiar. A partir daí, o termo ainda evolui e também se refere a alguém que chegou a um beco sem saída, tentou de tudo e de todas as formas e...fracassou, incluindo-se a dimensão moral e espiritual! Paulo tinha consciência de sua miséria e Lutero, ainda no leito de morte afirmou: “Somos mendigos, nada mais”. Trata-se, pois, daquele que deixou de lado o falso orgulho, que chegou aos limites da impotência humana, estando consciente de sua miséria extrema – seja ela material, social, emocional ou moral e espiritual. Daí que algumas versões traduzem “Felizes os humildes de espírito...” ao invés de “pobres de espírito...”.

Portanto, poderíamos dizer: Feliz a pessoa que chegou ao “fundo do poço”, que sabe o que é o fracasso e a dor – e, consciente de sua condição e dependência humana – assume uma postura contrária à do fariseu orgulhoso, autoconfiante e hipócrita. Tal pessoa é feliz porque faz uma dupla experiência: torna-se livre em relação à busca por segurança material e tentativas de auto justificação para, ao mesmo tempo, tornar-se cativa de Deus. E nisto reside sua felicidade, já, aqui e agora! Ela é como o sino: preso em cima e, por isso, livre para mover-se, louvar e anunciar os feitos de Deus.

Pr. Egon Lohmann, Pastor Emérito, Curitiba/PR



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