Reflexão

Mundanização, Humanizaçção e Espiritualidade



Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós - Jo 1.14

Outro dia caminhando com um rapaz, conversando sobre a vida, perguntei algo a ele e surpreendentemente ele me respondeu: Não, não faço isto, não sou deste mundo! Dei um pulo assustado, achei que pudesse estar ao lado de um extraterrestre. Tenho percebido que, não raras as vezes, fazemos uma confusão entre mundanização e humanização. Justificamos determinados atos usando argumentos que não são legítimos, como se ser espiritual fosse o oposto de ser humano. Biblicamente ser espiritual é oposto a ser mundano e sinônimo de humano. Explico dando exemplos. Já ouvi pessoas dizendo que não devemos nos envolver com política porque é “coisa do mundo”. Ou que não é responsabilidade da igreja cuidar dos pobres porque a igreja precisa se envolver com “as coisas espirituais”. Ou ainda que questões ambientais são coisas do Green Peace.

Ser mundano é compactuar com os valores de morte, indiferença, anti-cristãs e do reino das trevas. Tem a ver necessariamente como somos e como fazemos e nem sempre o que fazemos. Como reagimos diante da vida, do Reino e de Deus. É a expressão egoísta, mesquinha e hipócrita do nosso coração. Contudo, ser humano é se comprometer com nossa humanidade, apesar de redundante. Não fomos criados para vivermos num outro mundo. Fomos criados para viver, atuar e interferir onde estamos e como pudermos. Humanidade e humanização têm a ver com tudo aquilo que diz respeito a nossa existência, o que torna a vida possível.

Voltando aos exemplos, não podemos ser apolíticos, só podemos nos mover enquanto nação, num país democrático através da política. Então a pergunta não é se devemos ou não nos envolvermos politicamente mas como faremos isto de maneira cristã e não mundana. Opa! Então mundano é o oposto de cristão, ou seja, quando o que eu faço não reflete os valores do Reino e nem humanos. Da mesma forma a injustiça social conspira contra a vida, logo tem a ver com nossa humanização, o Reino e Igreja. Deus se tornou humano em Cristo e habitou entre nós. Ser cristão é ser humano no sentido mais profundo. Logo, espiritualidade tem a ver com a capacidade de nos tornarmos humanos, sensíveis, compassivos, permitir que os valores do Reino permeiem nossas decisões, intenção e ações e não uma espiritualidade desencarnada, quase angelical e alienante. Isto porque Cristo foi humano e nos convida a sermos como ele.

Pr. Samuel Scheffler


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