Reflexão

Perdoe as Pessoas Não Suas Ações



Fui profundamente tocado ao ler um texto do Dr. Jim Denison no qual ele relata como sua perspectiva do perdão foi ampliada. Fiz uma tradução livre e compartilho com você.

Texto: EI, Kayla Mueller e Perdão – Dr. Jim Denisson

Abu Bakr al-Baghdadi dirige uma organização que matou mais de 3.000 pessoas no ano passado. O Estado Islâmico (EI) crucificou recentemente 74 crianças por não jejuar corretamente durante o Ramadã. Decapitou vítimas, afogado outros em gaiola, e queimou outros vivos. Segundo o The New York Times, o grupo tem escravizado e vendido milhares de mulheres como escravas sexuais. Tudo sob a liderança de al-Baghdadi.

E agora ele está na notícia por motivos pessoais, e pela sua imoralidade abominável também. Kayla Mueller trabalhava na ajuda humanitária e foi capturada em agosto de 2013, quando saía de um hospital na Síria. Ela ficou em poder do Estado Islâmico por 18 meses e foi morta no início deste ano. Agora descobrimos que ela foi estuprada repetidamente por al-Baghdadi, que fez dela sua escrava sexual pessoal.

O que devem estar sentindo seus pais? Sua família e amigos? E as famílias das mulheres que ainda se encontram em poder do grupo de al-Baghdadi? Quando eu vejo o rosto ou o nome deste criminoso na notícia, eu sinto um repulsa profunda por ele. Você não acha?

Eu sei que a Bíblia me diz várias vezes para perdoar meus inimigos. Jesus nos ensinou “amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5:44). Mas, se Kayla Mueller fosse minha filha, como eu poderia perdoar o homem que fez essas coisas horrivelmente indizíveis com ela?

Pense em uma pessoa cujo pecado sem arrependimento tem prejudicado você. Você sabe que você deve perdoar. Você sabe que abrigar raiva machuca mais você do que machuca a pessoa que o magoou. É como beber veneno e esperar que a outra pessoa morra. Mas, ainda assim, parece tão injusto. Esta pessoa te machucou e agora é sua a responsabilidade de perdoar as ações ou as palavras que te feriram.

Na verdade, não é.

Em uma devocional de Craig Denison que li ontem, fiquei impressionado com o título: “Perdoe a pessoa não suas ações.” Sua devocional me levou por um caminho filosófico que eu não tinha trilhado antes. Eu percebi que o perdão é uma construção relacional que requer um objeto apropriado à sua natureza. Em outras palavras, eu não posso perdoar uma cadeira, mesmo se eu quebrar meu tornozelo ao tropeçar nela. Da mesma forma, eu não posso perdoar uma palavra, mesmo que ela fira meus sentimentos. Eu não posso perdoar uma ação física, mesmo no caso dela quebrar meu nariz. Eu só posso perdoar a pessoa que fala a palavra e comete a ação.

Eu achei essa visão extremamente útil. Deus não nos pede para perdoar pecados terríveis como aqueles perpetrados por Abu Bakr al-Baghdadi. Ele não perdoa pecados, em vez disso, perdoa o pecador. Quando Estevão estava sendo apedrejado até a morte, ele perdoou os homens e não suas ações (Atos 7:60). Jesus fez o mesmo na cruz (Lucas 23:34).

O perdão não significa que Abu Bakr al-Baghdadi não deve enfrentar a justiça por seus crimes horripilantes. Ele deve, sem dúvida. Isso significa que podemos entregar a vingança à justiça de Deus promulgada pelos homens e pelo julgamento divino (Romanos 12:19). Podemos pedir a Deus que nos ajude a perdoar não os crimes, mas os criminosos.

E nós podemos trabalhar para curar um mundo de criminosos. Antes de ser capturada, Kayla Mueller escreveu uma carta para sua família na qual ela disse: “Algumas pessoas encontram Deus no amor, eu encontrei Deus no sofrimento. Eu sei, já há algum tempo, que o trabalho da minha vida é usar as minhas mãos como ferramentas para aliviar o sofrimento.”

O perdão é uma ferramenta para aliviar o sofrimento. Como você vai usá-lo hoje?

Fonte: (http://www.denisonforum.org/cultural-commentary/1850-isis-kayla-mueller-and-forgiveness)

Vinicios Torres

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