Educação

Projeto Juventude-Ação incentivará participação de jovens no combate à violência sexual
17-08-2006 16:28

Brasília - O Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes lança o projeto Juventude Ação.E/D - Grabriela Goulart, Cristina Albuquerque, Cleuza Costa, Graça Gadelha, Carmen de Oliveira e Neide Castanha. Foto: Antonio Cruz/ABr



Brasília - A Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) e o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes lançaram hoje (17) um projeto para estimular a participação dos próprios jovens nas ações de combate à violência sexual. O projeto, chamado Juventude-Ação – Integrando Redes de Protagonismo Juvenil, escolheu jovens que já participam de mobilizações para serem capacitados para trabalhar com essa questão.

A idéia, segundo a diretora de programas da organização Partners of Americas, Graça Gadelha, uma das coodenadoras do projeto, é transformar esses jovens em multiplicadores de informação. “A idéia básica do programa é estimular a formação de lideranças juvenis que possam contribuir de forma educativa, preventiva, no processo de sensibilização e conscientização de outros jovens para o enfrentamento dessa questão tão grave no Brasil”, afirmou.

O projeto prevê a realização de oficinas de capacitação para os jovens e a aplicação de questionário para saber o que a juventude pensa sobre o tema. A iniciativa está sendo desenvolvida inicialmente em sete estados: Pernambuco, Ceará, Minas Gerais, Amazonas, Paraná, Pará e Mato Grosso. A previsão é que, a partir do ano que vem, o projeto seja ampliado para todo o país.

A subsecretária de Direitos da Criança e do Adolescente da SEDH, Carmem de Oliveira, disse que, além de incentivar a participação juvenil, o projeto contribuirá para o enfrentamento do problema. “Já vários projetos no país têm demonstrado que o jovem, às vezes, se sente mais confortável na conversa, na aproximação com outro jovem do que, às vezes, até com o operador do Direito, com um profissional da área da saúde que ele poderia acorrer numa situação de violência sexual”, explicou.

A secretária-executiva do comitê nacional, Neide Castanha, destacou que, como as principais vítimas são crianças e jovens de até 24 anos, é preciso garantir a participação deles nas ações de combate a esse problema para atingir bons resultados. “Se não estimularmos nesses jovens uma nova cultura e se não trouxermos essa juventude para, no seu próprio modo de ser, fortalecer-se como agente vivo no combate, estaremos fazendo muito para alcançar poucos resultados”, defendeu.

Segundo Graça Gadelha, a maioria dos jovens desconhece as ações tanto para prevenir o problema quanto para denunciar casos de abuso. O projeto pretende qualificar as jovens lideranças para conhecer a rede local e encaminhar as vítimas.

A violência sexual compreende os casos de abuso sexual, em geral ocorridos dentro do ambiente familiar, a exploração e o tráfico de crianças e de adolescentes para fins comerciais. Por ser um problema pouco notificado, o país dispõe de poucos dados sobre o tema. O disque-denúncia que atende as vítimas recebe cerca de 1 mil ligações por dia.

“Só que esses mil telefonemas não traduzem necessariamente o que está sendo identificado como problema na medida em que somente tem acesso aquela pessoa mais mobilizada para tomar essa iniciativa”, ponderou Carmem de Oliveira.


Cecília Jorge
Repórter da Agência Brasil
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