Ciência e Tecnologia

Copel inicia testes de internet por fio elétrico em Santo Antônio da Platina
10-04-2009 10:22

A Copel está iniciando os testes de desempenho da tecnologia PLC (iniciais de power line communications), que converte a fiação de energia elétrica em meio físico para conexão com sistemas de comunicações e telecomunicações em banda larga. Nesta primeira semana de abril, foram conectados os dez primeiros usuários – de um total de 300 – que integram o grupo de amostragem da experiência, conduzida na cidade de Santo Antônio da Platina, região do Norte Pioneiro, distante 370 km de Curitiba. Eles poderão navegar pela internet com conexões de 10 Mbps (megabites por segundo), capacidade superior às alternativas hoje existentes no mercado.

Gradativamente, serão conectados ao longo do mês de abril os demais usuários que já se cadastraram voluntariamente para participar do projeto piloto. Esses usuários, domiciliados no trajeto das redes elétricas que foram equipadas para, além de eletricidade, transportar sinais digitais de imagem, som e dados, terão a incumbência de, durante um ano, monitorar e avaliar criticamente o desempenho da tecnologia, produzindo relatórios periódicos para a Copel.

Nesse sistema, a energia elétrica e os sinais digitais de voz, imagem e dados compartilham o mesmo condutor, possibilitando transformar qualquer tomada elétrica do imóvel (seja ele uma casa, escola, comércio ou fábrica) também num ponto de conexão para internet em banda larga, telefone e TV a cabo.

Inclusão

No final de março, a Copel promoveu uma demonstração pública do funcionamento do sistema PLC durante a Exposição Feira Agropecuária Comercial e Industrial do Norte Pioneiro, realizada em Santo Antônio da Platina. O vice-governador Orlando Pessuti participou da abertura do evento e foi conhecer a novidade, fazendo elogios ao seu aspecto socializante. “É um avanço porque tudo isso pode ir para dentro das escolas, das empresas comerciais, industriais, residenciais e de todos os lugares que forem necessários”, disse.

E essa é, segundo o presidente da Copel, Rubens Ghilardi, a principal virtude e a maior vantagem do sistema PLC: universalizar o acesso da população aos recursos de telecomunicações e à internet. \"O grande objetivo da experiência que está sendo iniciada pelo Governo do Paraná, por intermédio da Copel, é a possibilidade real de ser decretado definitivamente o fim da exclusão digital no Estado com a universalização dos serviços de telecomunicações, tal como já ocorre com a eletricidade\", comenta o presidente. “A tecnologia PLC também poderá democratizar o acesso da população a esses serviços, aumentando a concorrência e servindo de alternativa às companhias que monopolizam as telecomunicações no Brasil, contribuindo para baratear os preços cobrados”.

Economia

Uma estratégia que a Copel já considera para o futuro é cobrar pelo acesso à internet pelo uso efetivo que o usuário fizer do serviço, tal como acontece com o consumo de eletricidade. “Hoje, o usuário paga um preço determinado pela capacidade e velocidade da sua conexão, não importando se ele a utiliza bastante, pouco ou quase nada”, descreve Orlando César de Oliveira, coordenador do projeto de PLC da Copel. “Imaginamos ser perfeitamente possível implantar um sistema de cobrança mais justo, que leve em conta a utilização real e efetiva do internauta”.

Nas simulações feitas pelo coordenador, a modificação na forma de cobrança pode resultar numa redução à metade dos preços cobrados hoje pelos sistemas convencionais de conexão. “Isso fará do sistema PLC uma modalidade de conexão bastante acessível e extremamente competitiva dentro do mercado de telecomunicações no futuro”, adianta Orlando.

Regulamentação

Embora relativamente recente, a tecnologia PLC vem se difundindo rapidamente em outros países e já dá seus primeiros passos para se instalar também no Brasil.

Há poucos dias, o conselho diretor da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou a regulamentação que irá disciplinar a exploração das telecomunicações por rede elétrica no país, construída aproveitando contribuições de diversas empresas – entre elas a Copel, que em 2001 realizou a primeira experiência com a tecnologia no Brasil, testando-a em 50 domicílios de Curitiba. “Essa regulamentação aumenta nossa confiança de que a conexão por rede elétrica é uma aposta acertada que o Paraná e a Copel estão fazendo com olhos no futuro, seja como ferramenta para promover a inclusão social e digital, seja como uma nova oportunidade de negócios”, avalia o presidente Rubens Ghilardi.

Inédito

O projeto que a Copel está iniciando em Santo Antônio da Platina é inédito no Brasil pela sua abrangência e, também, por não fazer distinção de segmentação: os testes irão contemplar o desempenho da tecnologia por diversos tipos de público e em diferentes graus e situações de uso. Experimentalmente, 300 unidades consumidoras da cidade terão durante um ano acesso gratuito à novidade, mediante o compromisso de monitorar, avaliar, acompanhar e relatar continuamente para a Copel o seu funcionamento.

O grupo de amostragem foi formado buscando representar o universo dos diferentes tipos de unidades consumidoras atendidos pela empresa. Já a escolha da cidade foi definida segundo critérios de porte (não poderia ser um grande centro), configuração técnica das redes de distribuição de energia (que atendessem a uma grande variedade de ligações num único circuito), fazer parte do anel principal de fibras ópticas da Copel e ter disponibilidade de técnicos das áreas de distribuição de energia e de telecomunicações da empresa.

Nessa experiência, a Copel está investindo R$ 1 milhão na aquisição dos equipamentos (modems e amplificadores, adquiridos mediante processo de licitação pública de um fabricante sueco), que estão em fase final de instalação.

Como funciona

O PLC é uma tecnologia através da qual os sinais de telecomunicação utilizam o mesmo meio físico que a energia elétrica. Como os sinais de comunicação e de energia têm frequências diferentes (alta para os de comunicação e baixa para os de energia), eles podem compartilhar o mesmo meio físico sem interferências entre si. Ou seja, além de eletricidade, uma tomada pode fornecer acesso a diversos outros serviços – como internet em banda larga, por exemplo.

A tecnologia consiste em instalar um modem PLC conhecido como “máster” na rede elétrica secundária da baixa tensão que, por sua vez, se comunica com outros modems instalados em qualquer tomada daquele mesmo circuito, possibilitando velocidades de transmissão de até 200 Mbps segundo informações dos fabricantes. Aos seus modems, os usuários conectam computadores ou telefones IP (internet protocol) via cabo ou wi-fi (rede sem fio). As redes elétricas secundárias se interligam a redes primárias de fibras ópticas da mesma forma que nas tecnologias ADSL das operadoras de telefone ou Cable Modem das TVs a cabo.

O grande benefício do PLC é permitir a utilização de redes elétricas já existentes, sejam as redes públicas ou a instalação elétrica interna dos domicílios, reduzindo os custos de implantação e solucionando o maior desafio na universalização do acesso da população à internet de banda larga – a chamada \"última milha\", que é o trecho que liga a rede de fibras ópticas ao consumidor final. Além disso, o PLC poderá permitir que outras operadoras possam concorrer com o monopólio privado criado a partir da desestatização do Sistema Telebrás, instalando a competição, aumentando a oferta e contribuindo para a redução de preços dos serviços de telecomunicações.

AEN
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