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ARTES VISUAIS
Museu dos Irmãos Grimm - Jacob e Wilhelm que moravam na cidade de Kassel. Seus contos são mundialmente conhecidos como Branca de Neve, Joãozinho e Maria, Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida no Bosque. Crédito Foto: Katia Velo.
Fachada do Museum Schloss Wilhelmshöle em Kassel onde havia exposição de trabalhos holandeses do séc. XVII e trabalhos contemporâneos.
Crédito Foto: Katia Velo.
Vista área de Kassel(Alemanha) que possui uma arquitetura extremamente convidativa, prédios baixos, povo simpático e muitas áreas verdes. Imagem: Catálogo de Kassel.
15/10/2007
Documenta – Kassel (Alemanha) Documenta – Kassel (Alemanha) Iole de Freitas, a obra da brasileira que participou da 12a. Documenta, ocupou uma área de 32 metros, no Museu Fridericianum que invadia a área externa do belíssimo edifício. Crédito Foto: Katia Velo Kassel A cidade de Kassel (Alemanha) possui uma arquitetura extremamente convidativa, prédios baixos, povo simpático e muitas áreas verdes. É surpreendente que durante a segunda guerra mundial a cidade tenha sido quase totalmente destruída por ser alvo militar, pois abrigava indústrias de tanques e armamentos de guerra. A Documenta é uma das principais exposições de arte do mundo e atrai um grande número de visitantes, a cada cinco anos, durante 100 dias. Kassel é uma das principais cidades do Estado de Hessen (Alemanha) e se transforma para receber em seus espaços culturais, museus e espaços públicos trabalhos de artistas de vários locais do mundo. Outro fator que vale a visita a Kassel é o Museu dos Irmãos Grimm - Jacob e Wilhelm que moravam na cidade. Seus contos são mundialmente conhecidos como Branca de Neve, Joãozinho e Maria, Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida no Bosque. A importância da cidade em nível cultural pôde ser percebida como na campanha para ser a Capital da Cultural da Europa em 2010 onde o slogan era “Kassel já ganhou”. Buscar compreender a 12ª. Documenta é tarefa no mínimo enfadonha pela quantidade e, digamos, pela “surpresa” que alguns trabalhos podem causar. No entanto, há muito que comemorar como a apresentação nesta edição, principalmente pela participação significativa de artistas brasileiros. DOCUMENTA 12ª edição (de 16 de junho a 23 de setembro de 2007). Após a 2ª. guerra mundial e, apesar da cidade de Kassel estar quase totalmente destruída, não desmotivou o artista Alfred Bode e o historiador da arte Werner Haftmann em resgatar as vanguardas modernas, cujas obras haviam sido excluídas dos museus e em parte destruídas pelos nazistas por serem consideradas como "arte degenerada". Em sua 12ª edição, trouxe 113 artistas que expuseram cerca de 500 trabalhos nos vários espaços dedicados ao evento, destacando o Museum Fredericianum, o Documenta-Halle, a Neue Galerie e o Aue-Pavillon, Museum Schloss Wilhelmshöle, Kulturzentrum Schlachthof, Elbulli - Spanien e ainda os vários espaços alternativos. O diretor artístico da 12ª. Documenta é o alemão nascido em Berlin, Roger-Martin Buergel. Buergel estudou Arte e Filosofia em Viena onde vive. Sua esposa, Ruth Noack, vienense, historiadora de arte, foi uma das principais colaboradoras participando da direção artística, ocupando oficialmente a posição de Curadora. Esta Documenta foi norteada por questões como: A Modernidade é a nossa Antiguidade? Os organizadores esperavam, que por meio de ingadações como esta, inspirassem o público a enxergar a arte como possível mediadora de um horizonte comum para a humanidade. Neste ano, houve também uma boa novidade, a maior representatividade de brasileiros neste grande evento de arte, além dos artistas selecionados, houve também a participação de teóricos em seminários como a crítica Suely Rolnik, e revistas como Trópico e Canal Contemporâneo, além da participação na concepção arquitetônica, com a colaboração de Lina Bo Bardi, e os artistas brasileiros: Ricardo Basbaum, Iole de Freitas, Maurício Dias, Mira Schendel e Luis Sacilotto. Ricardo Basbaum (1961), artista, escritor, crítico e curador. Paulistano, vive e trabalha no Rio de Janeiro onde é professor do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Destacam-se em sua biografia participações na 25ª Bienal de São Paulo (2002), no Urban Tension (Museum in Progress), Viena, 2002, e na mostra Entre Pindorama, na Künstlerhaus de Sttutgart, em 2004. Seu trabalho apresentado na Documenta é um projeto que o artista já trabalha desde 1994. O NBP, que quer dizer “Novas Bases para a Personalidade”. Ricardo desejava primeiramente “produzir uma espécie de implante de memória; jogar com a idéia da memória artificial, da contaminação do contato”. Se a pessoa aceitar a proposta do artista, ela deve ficar um mês com um objeto inventado por Basbaum, utilizá-lo como quiser ser responsável por seus atos e documentar essa utilização. Em Kassel, por exemplo, este projeto foi apresentado como uma instalação que disponibilizou para o público o work in progress - trabalho não finalizado, em processo. Basbaum construiu uma arquitetura em que há partes de toda a teia que compõe o dispositivo relacional inventado por ele. Eram oito monitores de vídeos e fotografias feitas por pessoas e grupos que participaram da experiência, dois monitores ligados ao site Você quer participar de uma experiência artística. Basbaum acredita que o visitante de uma exposição onde esteja o seu trabalho sai de lá com a memória do NBP “encravada”. É um sinal, uma espécie de vírus, que transfere a informação de uma pessoa para outra, sempre interagindo. Iole de Freitas (1945), escultora contemporânea, gravadora, artista multimídia. Nascida em Belo Horizonte (MG), estudou Desenho Industrial na Escola Superior de Desenho Industrial no Rio de Janeiro. Morou durante os anos 70 em Milão (Itália) onde desenvolveu trabalhos relacionados às artes plásticas. Em 1980 retornou ao Brasil, lecionou escultura contemporânea na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Suas instalações são expostas em todo o mundo, como pode ser observado na 12ª. Documenta. Sua obra pertencente a Documenta ocupou uma área de 32 metros, no primeiro andar do Museu Fridericianum e sobressaíu-se dominando também a parte externa da fachada deste belíssimo edifício. Maurício Dias (1964) videoartista. Maurício Dias estudou artes plásticas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e se mudou para a Suíça logo após a formatura, onde viveu por 12 anos. Lá conheceu Walter Riedweg (1955), nascido em Lucerna, cidade da Suíça alemã. Atualmente, vivem no Rio de Janeiro. O vídeo é o principal meio de trabalho destes artistas e seus personagem são sempre de pessoas que estão à margem da sociedade. Para a 12ª. Documenta os videoartistas entraram no universo funk carioca, denomimado Funk Staden. O nome surgiu da fusão de um símbolo carioca o funk, e o Staden (escritor alemão, nascido em Kassel) é a parte relacionada a cidade. Portanto, Funk Staden reconta de forma “chocante e grotesca” o 28º capítulo do livro Wahrhaftige Historia, escrito por Hans Staden. O livro Wahrhaftige Historia escrito por Staden em 1557, reúne os primeiros registros literários que foram feitos sobre o Brasil. O livro narra a aventura vivida por Staden quando chegando ao Brasil é capturado pelos índios tupinambás – os índios da costa entre Rio e São Paulo. Esses índios eram antropófagos, mas provavelmente não aprovaram o sabor do alemão. Eu também senti um terrível gosto amargo ao ver homens e mulheres durante um churrasco em uma favela no Rio de Janeiro, com sobreposições de imagens de bailes funks (sexo e brigas) e finalizando com imagens provenientes do livro descrito acima, onde apresentam-se índios em total “farra” canibalesca. Não há como negar a coerência e coesão entre as imagens e a idéias dos videoartistas, mas o que me chama a atenção é sempre está visão “capenga” e “fixa” que o Brasil é só isto! Ou seja, não somos apenas selvagens dos trópicos! Mira Schendel e Luis Sacilotto (trabalhos dos anos 1950 e 1960) Os trabalhos destes destes dois artistas, deste período, apresentados em Kassel propõem novas reflexões. Mira Schendel (1919) nascida em Zurique (Suiça). Em 1966, cria a série Droguinhas, elaborada com papel-arroz retorcido e trançado, e Transportáveis a transparência nos dois trabalhos, a leveza e o desafio do equilíbrio. Nestes trabalhos Mira busca através da transparência o elemento fundamental do seu trabalho, empregando como meio o papel arroz. Luis Sacilotto (1924) paulista da cidade de Santo André tem com base em seus trabalhos o concretismo. Independentemente de críticas, positivas ou negativas, é salutar destacar o importante papel de espaços internacionalmente relevantes como a Documenta, por manter-se alinhado aos seus princípios. Possibilitar a elaboração e criação de projetos que tenham somente um fim em si mesmo, o de criar, independentemente de padrões estéticos ou imposições políticas e/ou culturais. Próximas edições de Viagem Cultural Ateliê de Arte Viriato discorrerá sobre Berlin, Nuremberg, Colônia e Münster (Alemanha), Viena (Áustria) e Amsterdã (Holanda). Katia Velo Artista plástica, fotógrafa, professora, artista no Núcleo de Arte Edilson Viriato, vice-diretora de marketing APAP e colunista do GuiaSJP. Veja também neste site em KATIA VELO Site referente a este evento: Colunista Lucia Casillo http://www.mhariolincoln.jor.br/index.php?catid=138&blogid=1 "Graça seja convosco, e paz, da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo." 1CO 1:3 |